Em um setor historicamente marcado por protagonismo masculino, algumas mulheres vêm transformando a cena gastronômica brasileira com técnica, personalidade e visão de futuro. Para pautas especiais de Dia Internacional da Mulher, reunimos quatro profissionais que ocupam posições de liderança — do fogo à adega, da cozinha autoral ao salão — e ajudam a ampliar o repertório e a representatividade do setor.
Paula Labaki – A Rainha da Brasa

Especialista em brasa e chef de gastronomia do Grupo Churrascada, Paula Labaki construiu uma trajetória singular em um território ainda predominantemente masculino: o do fogo. Conhecida como a “Rainha da Brasa”, é hoje um dos principais nomes quando o assunto é defumação e churrasco de alta gastronomia no Brasil e no exterior.
Com domínio técnico, pesquisa constante e presença marcante, Paula transformou o churrasco em linguagem autoral — combinando cortes precisos, técnicas de defumação e construção de sabor sofisticada. Sua atuação vai além da cozinha: ela se tornou referência para mulheres que desejam ocupar espaços tradicionalmente fechados, mostrando que liderança também pode ser exercida ao redor da brasa.
Cafira – Cozinha brasileira com protagonismo feminino

À frente das cozinhas do Grupo Fitó, Cafira foi uma das precursoras, em São Paulo, de uma brigada formada exclusivamente por mulheres — movimento que ajudou a reposicionar a discussão sobre equidade nas cozinhas profissionais.
Sua cozinha traduz uma brasilidade contemporânea, com ingredientes de origem bem definida, técnica apurada e olhar sensível para memória e território. Mais do que uma chef, Cafira é formadora: constrói equipes, abre caminhos e demonstra, na prática, que excelência e representatividade podem caminhar juntas.
Bel Costa – Gastronomia, arte e afeto em Paraty

Chef e artista plástica, Bel Costa comanda há anos o Refúgio, em Paraty, ao lado das filhas Manoela e Isabela. É responsável tanto pelo menu quanto pela atmosfera da casa — da curadoria estética ao décor, imprimindo identidade própria a cada detalhe.
Sua cozinha combina técnica, memória afetiva e ingredientes frescos da região, refletindo o entorno caiçara e o ritmo da cidade histórica. No Refúgio, gastronomia e arte dialogam de forma orgânica, e o restaurante se torna extensão da personalidade da chef: acolhedor, criativo e profundamente autoral.
Mazé Loiola – O protagonismo feminino também na adega

No salão e na adega do Loup Restaurante, Mazé Loiola reafirma a importância da presença feminina também no universo do vinho — outro território historicamente masculino. Com olhar apurado e escuta sensível, ela constrói harmonizações que ampliam a experiência do cliente e aproximam o público do universo enológico.
Seu trabalho envolve curadoria, educação e hospitalidade: mais do que sugerir rótulos, Mazé cria pontes entre cozinha e taça, mostrando que o protagonismo feminino na gastronomia também se expressa na técnica, na narrativa e no serviço.
Mulheres que ampliam o repertório
Brasa, cozinha autoral, gestão de equipes, arte, vinho. As trajetórias de Paula Labaki, Cafira, Bel Costa e Mazé Loiola mostram que o Dia Internacional da Mulher é também oportunidade para discutir liderança, representatividade e inovação na gastronomia brasileira.
São personagens com histórias consistentes, discurso sólido e atuação relevante — prontas para enriquecer pautas sobre empreendedorismo feminino, desafios do mercado, alta gastronomia, hospitalidade e transformação cultural no setor.
