Seguro viagem para a América do Sul cresce e muda hábitos do viajante brasileiro

Viajar para um país vizinho costuma parecer simples. A distância é menor, os destinos são conhecidos e, em alguns casos, dá até para fazer o trajeto de carro. Mesmo assim, o seguro viagem começa a ganhar mais espaço no planejamento dos brasileiros.

Entre janeiro e julho de 2026, a venda de seguros para a América do Sul cresceu 52,4% na plataforma Seguros Promo, passando de 7.895 para 12.030 apólices em relação ao mesmo período de 2025.

O crescimento chama atenção quando comparado a outros mercados. No mesmo período, as vendas para a Europa aumentaram 18,3%, enquanto a América do Norte registrou alta de 16%. A média nacional do setor ficou em 12,2% no primeiro semestre de 2026, segundo dados da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg).

A proximidade, no entanto, não significa que o viajante esteja sujeito aos mesmos custos e condições de atendimento encontrados no Brasil.

No Chile, o Consulado-Geral do Brasil em Santiago recomenda aos brasileiros que viajam ao país a contratação de seguro com cobertura para despesas médicas, hospitalares e remoção de emergência. Consultas, exames e internações podem representar gastos altos para turistas.

No Uruguai, estrangeiros também podem ter de arcar com despesas médicas e hospitalares. A orientação do Consulado-Geral do Brasil em Montevidéu inclui ainda os custos de transporte por ambulância.

Na Argentina, o assunto ganhou atenção após mudanças recentes nas regras migratórias. O país passou a prever a declaração sobre a posse de seguro de saúde para estrangeiros, embora a aplicação da medida ainda dependa de regulamentação. Também houve mudanças no acesso de estrangeiros não residentes a determinados serviços de saúde pública.

Segundo Paulo Zamboni, CEO da Seguros Promo, a percepção de que destinos próximos exigem menos planejamento pode levar o viajante a deixar o seguro de lado. Para ele, a proteção deve ser considerada mesmo em viagens curtas.

O seguro também pode ajudar em outros imprevistos. Em casos de bagagem extraviada, por exemplo, o passageiro precisa registrar a ocorrência junto à companhia aérea e aguardar a localização dos pertences. Algumas apólices oferecem cobertura específica para esse tipo de situação.

O avanço de 52,4% nas vendas indica uma mudança no comportamento de quem viaja pela região. A América do Sul continua próxima no mapa, mas começa a receber um planejamento mais parecido com o de viagens internacionais de longa distância.

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