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Uma loja repleta de delícias da roça pra lá de boas

Durante toda sua estadia em Brotas, com certeza vai se deparar como eu com diversas iguarias deliciosas e típicas da região. Pois lá existem muitos produtores criativos e inovadores, que fazem produtos únicos. Entretanto, pode ser difícil localizá-los e ir até as fazendas da região para adquirir esses produtos demandaria um grande tempo. Logo, você deve estar me perguntando como fiz para levar esses produtos para casa, não é? A resposta é que você PRECISA conhecer a loja da Casa da Cachaça!

Localizada no centro da cidade, em frente à Praça Benedito Calixto onde fica também a Igreja Nossa Senhora das Dores, está localizado um centenário casarão amarelo. Conservado em sua forma original pelos proprietários, Luciano (Nim) e Leandro, ele abriga muito sabor e cultura.

Logo que cheguei na porta, pensei que ali era apenas uma lojinha junto com um alambique, mas me enganei enormemente. Nessa casa histórica, localiza-se a Casa da Cachaça (loja de uma infinidade de produtos locais e alambique próprio), o Museu da Cachaça, o Museu do Caipira e um lindo jardim onde pode-se sentar e ouvir aos finais de semana um morador da região, sanfoneiro há anos, tocando ao vivo.

Há ainda no terraço uma pequena réplica de um alambique de cobre que produz cachaça de verdade! Essa cachaça pode inclusive ser provada, mas já aviso que possui um sabor bem mais forte do que a cachaça pronta.

Mas com certeza, uma das grandes riquezas desse passeio é desfrutar de um cafezinho “passado na hora” e servido por eles à beira do fogão à lenha, regado a “um dedo de prosa” com os simpáticos proprietários. Eles sempre tem uma história interessante para contar. Uma delas que gostei muito foi de como surgiu a Casa da Cachaça.

Um pouco sobre a história da Casa da Cachaça

Nim e Leandro, descendentes de italianos, cresceram vendo seus avós fazerem cachaça com seu pai. Como produziam em seu sítio, era difícil que alguém fosse até lá para comprar. Um dia seu pai decidiu parar de produzir. Entretanto, Nim e Leandro resolveram seguir adiante com essa bonita tradição familiar. Por coincidência, a esposa de Nim havia acabado de fazer um curso de produção de licores.

Foi então que tiveram uma grande ideia. Com seu próprio carro, começaram a vender as cachaças e os licores produzidos por eles, próximo ao Parque dos Saltos, no centro da cidade. Dessa forma, seria mais fácil das pessoas conhecerem seus produtos.

Tal foi o sucesso que obtiveram que um amigo de Luciano sugeriu que eles abrissem uma loja. Abriram então uma pequena loja na antiga mercearia que seu pai possuía na cidade e que há anos estava desativada. Levaram para decorar a mercearia os tonéis que utilizavam no sítio para o envelhecimento da cachaça e os licores. Nim conta que a produção era tão pequena que eles precisavam colocar nas prateleiras garrafas vazias para preencher o ambiente.

Aos poucos, sabendo da nova loja que abriu na cidade, as habilidosas doceiras da região, passaram a deixar doces e bolachas na loja em consignação. E dessa forma a loja foi crescendo e tornando-se o que é hoje.

A antiga mercearia ficou pequena para os grandes sonhos dos proprietários. Foi então que eles se mudaram para uma casa centenária mais próxima ao centro da cidade, a qual conservaram com sua estrutura original. A loja completou 23 anos este ano e faz parte da história da cidade, sendo uma parada obrigatória para quem visita Brotas.

Museu do Caipira

Nim disse durante minha visita no Museu do Caipira que para eles a cultura caipira tem muito valor. Por conta disso, criaram o Museu do Caipira, para preservar essa cultura para as futuras gerações.

Há 3 anos, eles começaram a juntar diversos artefatos antigos, da cultura caipira e simbólicos para região para construir o Museu.

Estão expostos vários itens, tais como televisores antigos, máquinas de escrever, ferramentas de lavoura, moedores de carne antigos e até uma cadeira de dentista dos anos 50.

Há também elementos simbólicos para a região como por exemplo, fotos de antigos moradores da cidade e a arapuca usada no filme O Menino da Porteira, doada pelo cantor Daniel.

Museu da Cachaça

A história do Museu da Cachaça também está cercada de história regional.

João Grossi, antigo morador de Brotas possuía uma coleção de cachaças que colecionava comprando ou trocando com cacheiros viajantes que passavam pela região.

Há 2 anos, João Grossi vendeu sua coleção aos proprietários da Casa da Cachaça, pois queria que mais pessoas vissem sua coleção. Desde então, os proprietários tem expandido a coleção através de doações e compras.

Recomendo a visita junto com algum dos proprietários, pois eles alegremente contam várias histórias sobre as cachaças que estão lá expostas.

E se você tiver alguma cachaça diferente em casa e quiser doar a eles, com certeza Nim e Leandro ficarão muito felizes em expor e contar sua história também.

Dicas do que comprar na Casa da Cachaça

Logo que você entrar, vai notar que há muitas opções, para todos os gostos e paladares. E o melhor: praticamente tudo pode ser provado! O difícil é escolher entre tantas coisas deliciosas!

Mas, para te ajudar, vou fazer uma listinha dos produtos que me encantaram.

  • Cachaça envelhecida em diferentes tonéis: você pode provar qual gosta mais, diretamente no tonel e, quando escolher, eles vão encher sua garrafa ali mesmo, na sua frente.
  • Licores: eu particularmente adoro licor de aniz, mas eles possuem muitas outras opções. Os licores são divididos em à base de leite (chocolate, marula, etc) e tradicionais (menta, morango, aniz, etc)
  • Cervejas: Brotas recebeu o título esse ano como um dos destinos de “rota da cerveja”, pois a cidade possui quatro cervejarias artesanais. Na Casa da Cachaça você encontrará alguns desses rótulos. Recomendo a Weiss da Brotas Beer, é minha preferida
  • Queijos: há muitas opções e tipos e todos podem ser provados. Recomendo as Tranças de Mussarela sabor Alho e a de Tomate Seco e o queijo Meia Cura.
  • Requeijão de corte: quem nunca experimentou, precisa experimentar! Eu amo e é muito difícil de encontrar. Na Casa da Cachaça encontrei 3 tipos diferentes, em outras palavras, tem para todos os gostos.
    Salames: há com diversas carnes, mas o destaque aqui vai ficar para o salame de carne de javali. Absurdamente gostoso!
    Ketchup de Goiaba: tem cor e gosto de ketchup, mas o melhor de tudo é que é os ingredientes são naturais. Uma opção saudável para se servir para as crianças.
    Café: além da degustação, pode-se adquirir também o café de fabricação própria, moído na hora, exclusivamente para você!
  • Doces e geleias: há doces de diversos produtores da região. Há doces em pedaços (goiabadas, cocadas, doces de leite, etc) e versões em pote, a grande maioria dá para ser provado. Entretanto, também há o doce da própria casa, que você pode apreciar inclusive a preparação. Pois a cada dia, os proprietários preparam no fogão a lenha um doce ou geleia diferente. Eu me deliciei com esses doces feitos por eles. Difícil indicar doces, pois eram todos muito gostosos, mas recomendo provarem o doce de goiaba apimentado, o doce de leite ninho e a geleia de amora (sazonal).
  • Pimentas: há uma grande variedade, em diversos níveis de ardência, mas para quem gosta de pimenta bem ardida, a casa faz um saborosíssimo molho com a Carolina Reaper, considerada pelo Guinness Book como a pimenta mais ardida do mundo.
  • Bolachas e biscoitos artesanais: há muita variedade, para todos os gostos, desde salgados a doces.
  • Lembrancinhas para presentear: há diversas lembrancinhas e artesanato local a venda. Como por exemplo pequenos jacarés remando suas canoas, ilustrando o espírito aventureiro da cidade.

Site: www.casadacachacabrotas.com.br

Horário de funcionamento: domingo a domingo das 9hs às 18hs, inclusive feriados

Endereço: Av. Padre Barnabé Giron, 221 – Centro – Brotas SP – 17380-000

Telefones: +55 (14) 3653-2273 / Whatsapp: 98135-4280 / 98135-2488

E-mail: casadacachacabrotas@bol.com.br

Sobre o autor

Mãe, jornalista, contadora de histórias e viajante apaixonada. Viajar para mim é vivenciar a paisagem, admirar os povos e experienciar com os cinco sentidos o destino. Sou apaixonada por histórias pois para mim elas dão alma aos lugares, então sempre trarei para você um pouquinho dessa alma que encontrar por aí.