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Turismo no Brasil lucra com dólar alto

Rio – Com o dólar batendo a marca de R$ 3 ontem, as viagens internacionais ficaram 13% mais caras nos primeiros dois meses do ano. A expectativa de que o preço suba ainda mais deixou inconformados muitos brasileiros que pretendiam viajar para o exterior. Mas para os empresários do setor no Brasil, a valorização da moeda norte-americana é vantajosa, pois aumenta a procura pelos destinos nacionais.


Foto:  Carlos Moraes / Agência O Dia

Um pacote de sete dias em Natal (RN), com aéreo e hotel, por exemplo, sai por R$ 399 por pessoa pelo Hotel Urbano. Já na CVC é possível encontrar pacotes com três noites para Fortaleza (CE), também com passagem aérea e hospedagem, com valores a partir de R$760 por pessoa. As ofertas são válidas para a baixa temporada.

Diretor comercial do site Hotel Urbano, Antônio Gomes percebeu um aumento significativo no preço das viagens internacionais e, consequentemente, uma redução na procura por pacotes no exterior. “As pessoas não deixaram de viajar, mas estão mudando seus destinos e optando por viagens nacionais. Para a economia brasileira, é até melhor, pois o dinheiro fica no país”, avalia.

Para o diretor do Departamento de Estudos e Pesquisas do Ministério do Turismo, José Francisco Salles Lopes, a moeda norte-americana mais cara vai consolidar a posição de destaque do turismo brasileiro. “Viagens domésticas já são responsáveis por 85% a 90% da economia do turismo, mas evidentemente que a alta do dólar terá algum reflexo no setor”, afirma o executivo.

As regiões que mais vão se beneficiar são o Nordeste, em função da temperatura alta o ano todo, e o Sudeste. Mas a situação abre espaço para que outras localidades sejam exploradas. Segundo José Francisco Salles, quem mais viaja são cariocas, paulistas e mineiros, que correspondem a 60% do turismo brasileiro. “É preciso incentivar os outros a viajar também”, diz o diretor.

Ainda de acordo com ele, as agências de turismo devem trabalhar no sentido de ter preços razoáveis e prazos de pagamento acessíveis. “A capacitação dos profissionais vem sendo feita de maneira permanente, o que ajuda a atrair turistas”, completa.

Levantamento da Associação Brasileira das Empresas Aéreas mostra que o número total de passageiros em voos domésticos chegou a 9,7 milhões em janeiro: alta de 12,5% na comparação com igual período do ano passado. Segundo a entidade, o aumento se deve a dois fatores.

O primeiro é uma possível transferência de viagens de lazer de julho do ano passado, que podem ter sido reprogramadas por receio de aeroportos cheios durante a Copa do Mundo. O segundo motivo, de acordo com a associação, é a valorização do dólar frente ao real.

Dólar atinge a maior cotação em mais de dez anos

A moeda norte-americana fechou em alta de 1,03% ontem, cotada a R$ 3,0115. Este é o maior valor desde 2004, quando o dólar terminou o dia valendo R$ 3,0146, segundo dados do Banco Central. O mercado segue atento ao programa cambial da instituição monetária e às incertezas quanto ao ajuste das contas públicas, depois que o presidente do Senado, Renan Calheiros, rejeitou a medida provisória que trata de desonerações tributárias.

Ainda no dia de ontem, a moeda variou entre R$ 2,9798 e R$ 3,0231. A alta se acentuou mesmo após o Banco Central manter o ritmo do aperto monetário e elevar a Selic em 0,50 ponto percentual, deixando em aberto o próximo passo da taxa básica de juros. Nos últimos quatro dias, o dólar acumulou alta de 5,44%. No ano, a valorização é de 13,27%. No entanto, nas lojas de câmbio a divisa norte-americana, que é oferecida aos turistas, já é vendida entre R$ 3,16 (dinheiro vivo) e R$ 3,37 (cartão pré-pago).

A perspectiva de alta dos juros nos Estados Unidos, que poderia atrair para o país recursos atualmente aplicados em países como o Brasil, também vem elevando as cotações do dólar globalmente. Investidores buscarão mais sinais sobre quando isso de fato acontecerá no relatório de emprego do governo norte-americano, que tem previsão de ser divulgado hoje.

A pressão cambial tem levantado dúvidas sobre o futuro das intervenções do Banco Central no mercado, marcada para durar pelo menos até o fim deste mês. Ontem, o BC vendeu dois mil contratos futuros de dólares. Foram vendidos 1.700 contratos para 1º de dezembro de 2015 e 300 para 1º de fevereiro de 2016, com volume correspondente a US$ 98,3 milhões. Também houve oferta total no leilão de rolagem dos contratos que vencem em 1º de abril: 14% do lote total, que corresponde a US$ 9,964 bilhões.

Já o Ibovespa fechou em queda de 0,2%, a 50.365 pontos. O índice da bolsa foi puxado pelas ações da Vale e da Embraer, que caíram mais de 4%.

Visitação em parques cresce no país

O Brasil registrou em 2014 um número recorde de turistas brasileiros e estrangeiros em seus parques nacionais. Apenas o da Tijuca, na Cidade do Rio, recebeu 3,1 milhões de visitantes, número que cresce ano a ano desde 2011, segundo o Ministério do Turismo.

Já o Parque do Iguaçu (PR), famoso pelas Cataratas, também alcançou um número inédito: mais de 1,5 milhão de pessoas. Segundo o ministério, a visitação de parques nacionais passou de 1,9 milhão em 2006 para seis milhões em 2013.

“O Brasil é um continente, a diversidade de atrativos turísticos é muito grande. É preciso aprender a colocá-los em evidência”, diz José Francisco Salles Lopes, do Departamento de Estudos e Pesquisas do Ministério do Turismo.

Viagens de negócios têm potencial

As viagens corporativas representam 74,5% dos deslocamentos de turistas no país. A expectativa para este ano é que o segmento movimente R$ 43,4 bilhões, um crescimento de 8% em relação ao ano passado, segundo pesquisa do Latin American Corporate Travel Experience (Lacte). As receitas com esse tipo de viagem cresceram 9,2% em 2014, totalizando R$ 40,17 bilhões.

Ministro do Turismo, Vinicius Lages afirmou que o turismo de eventos é o segundo maior fator de atração de estrangeiros para o Brasil, respondendo por 25,6% dos viajantes internacionais.

“O turista de negócios é exigente com a qualidade dos serviços e tem um gasto acima da média”, disse. Segundo ele, é por isso que, cada vez mais, as empresas têm investido na integração de toda a cadeia de serviços.