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Três trens que não travam a viagem

Heitor e Silvia Reali

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O trem da serra do mar paranaense parte diariamente de Curitiba rumo à cidade de Morretes

Por Heitor e Silvia Reali, do site Viramundo e Mundovirado

Fio condutor entre culturas e paisagens mundo afora, o trem que leva o viajante pode ser, ele mesmo, o principal atrativo do percurso.

Entusiasmo é a palavra-chave nos planos de uma viagem, certo? Que dizer então quando as distâncias serão percorridas por trens? De cara, a estação ferroviária convida. É o vozerio babélico de línguas estrangeiras, os inesperados encontros, os atalhos da imaginação elaborando fantasias sobre o destino escolhido.

Heitor e Silvia Reali

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Velho Expresso da Patagônia, que liga a cidade de Esquel ao povoado de Nahuel Pan, na Argentina

Seja em um trajeto curto ou longo, o trem oferece ao viajante a chance de se deleitar diante de um panorama histórico, de determinada geografia, desfrutando a riqueza e a diversidade da paisagem com edificações, campos agrícolas, montanhas, vales e lagos; rios. O roteiro pode ter sabor de antigamente, ou misturar estilos com velocidade e conforto.

Trilhos para o céu (Suíça)

Heitor e Silvia Reali

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Estação ferroviária do simpático vilarejo suíço de Kleine-Sheidegg

Nosso foco era partir da estação ferroviária do vilarejo de Kleine-Sheidegg, quase no centro do país, para alcançar Jungfraujoch, a 3.454 metros, considerada a estação de trem mais alta da Europa. No percurso até lá, partindo de Zurique, fizemos uma prazerosa viagem de duas horas em um moderno trem.

Nesse trajeto inicial já curtimos a paisagem: montanhas recobertas de verde luminoso, picos nevados, viadutos de pedra com alturas estonteantes, vilarejos com igrejas de torres pontiagudas e pitorescas casas com jardineiras transbordando de gerânios multicoloridos. Nos campos ainda se veem rebanhos de ovelhas, camponesas em meio a seus afazeres, e pralápracá pipocando pelas trilhas, viajantes de todas as idades a pé, de bicicleta, esqui ou a cavalo.

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Da pequena estação de Kleine-Sheidegg, embarcamos no trem que garante aos passageiros “ver e andar sobre a neve em qualquer mês do ano”, como afirma seu slogan. Utilizando cremalheiras, pontes e atravessando túneis em geleiras, o trem alcança o topo em pouco mais de uma hora, e promove o prazer de observar vales, campos, florestas, retiros de pastores, e pequenas vilas incrustadas na cadeia montanhosa.

Graças ao projeto audacioso de escavar a ferrovia na rocha, idealizado em 1894 por Adolf Guyer-Zeller –Trilhos para o Céu– como ele dizia, os visitantes podem apreciar ao chegar na estação final, o esplendor de montanhas em cujo vale a geleira Aletsch lembra um rio de gelo que se estende por longos 22 quilômetros. No topo da montanha Jungfrau, e cem metros acima da Jungfraujoch, fica a estação meteorológica Sphinx uma das mais modernas da Europa.

Mais informações: www.swisstravelsystem.ch

Parto hoje chego ontem – viajando no Velho Expresso da Patagônia

Heitor e Silvia Reali

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O Velho Expresso da Patagônia, mais conhecido como La Trochita

Experimentamos a sensação única de voltar no tempo. Importante mesmo em uma viagem é encontrar a magia que existe nas paisagens e deixar que a imaginação corra à vontade. Foi o que sentimos a bordo do Velho Expresso da Patagônia, mais conhecido como La Trochita, que liga desde 1920 a cidade de Esquel ao povoado de Nahuel Pan, na província de Chubut, na Argentina. A viagem demorou uma hora, tempo suficiente para que o cenário nos remetesse rapidamente a um tempo de descobrimentos em longínquas regiões.

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Na saída a maria fumaça tem apito que soa como melodia encantada, e a linha férrea cruza vales, percorre mesetas áridas e desérticas delineadas por cumes nevados da Patagônia, imagens que mostram que ali é a natureza que comanda o espetáculo.

Ao chegarmos no vilarejo de Nahuel Pan, um rústico e bem informativo museu convida a conhecer a cultura dos indígenas que foram os primeiros habitantes dessas planícies. Em suas casas os poucos moradores da vila vendem gorros, luvas e cachecóis em lã de ovelha, botões artesanais de madeira, além de empanadas e tortas doces.

Essa viagem nos trouxe um outro prazer mais confidencial: fugir dos circuitos assinalados e encontrar lugares com belezas e histórias ainda não massificados pelo turismo.

Mais informações www.latrochita.org.ar

A estrada de ferro que atravessa um jardim – Litorina Serra Verde

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São vários trens que partem de Curitiba e descem a Serra do Mar até Morretes. O nosso era um reluzente e prateado vagão, revestido de madeiras nobres, decorado com aconchegantes poltronas de veludo e couro, e com janelas panorâmicas para melhor visibilidade da natureza ao redor. Uma vez a bordo escolha os lugares do lado esquerdo do trem para ter ampla visão do vale, penhascos, alguns deles com sensação que estávamos flutuando, pontes, viadutos incrustados na rocha e cachoeiras como a Véu da Noiva com 70 metros de altura. O percurso é de puro charme.

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O trem cruza o bem preservado Parque do Marumbi e, em alguns trechos o vagão passa rente a hortênsias e damas-da-noite. No alto da serra a litorina faz uma parada no Mirante do Cadeado, para os viajantes sentirem o ar fresco da montanha e imaginarem a dificuldade que foi a construção dessa estrada em 1880.

Em chegando a Morretes lá pela hora do almoço, vale provar nos restaurantes locais, o Barreado, outrora substanciosa comida dos tropeiros e hoje um dos mais tradicionais pratos paranaenses, acompanhado da especial pinga de banana.

Em todos passeios de trem, o denominador comum é a sensação prazerosa de ver o mundo passar.

Mais informação: www.serraverdeexpress.com.br

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