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Quatro alambiques para visitar no Rio Grande do Sul

O Rio Grande do Sul é responsável pela maior parte da produção de vinho do Brasil, mas nem só da uva vem todos os produtos etílicos do Estado. A região tem tradição na produção de cachaça artesanal, cujos registros históricos remontam ao século 18. Hoje, marcas de altíssima qualidade apresentam, através de seus aromas e cores, a história de cada família produtora, o clima da região e as paisagens da Serra Gaúcha.

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Bento Gonçalves, Santa Tereza, Harmonia e Ivoti nos brindam com alguns dos principais alambiques da região Sul: Casa Bucco, Velho Alambique, Harmonie Schnaps e Weber Haus. Em todos eles, a inovação e a tradição andam lado a lado –como fruto, o visitante se delicia com algumas das cachaças mais premiadas do país, provando também outras delícias da região– dos cafés coloniais ao churrasco de chão.

Casa Bucco – Bento Gonçalves

Encravada nas belas montanhas da Serra Gaúcha, mais precisamente no Vale do Rio das Antas, em Bento Gonçalves, a Casa Bucco tem tradição na produção de cachaça desde 1925. O alambique tem uma bela estrutura arquitetônica e, além de produzir cachaça orgânica e manter o próprio canavial, a família produz também vinho, grappa e licores.

Degustação de cachaça na Casa Bucco

Na propriedade há ainda uma pousada para os hóspedes que quiserem ter uma experiência mais marcante com o lugar. Os quartos contam com lareira e a estadia inclui degustação à vontade das cachaças produzidas na casa. Um dos pontos mais bonitos do lugar é o mirante, de onde é possível observar o rio das Antes e a bela paisagem do Vale.

Velho Alambique – Santa Tereza

No final do Vale dos Vinhedos, existe uma pequena cidade de tradição italiana e polonesa. Santa Tereza é, na realidade, um grande achado: ali foi instalada a primeira fábrica de gaitas do Brasil. A fábrica está desativada, mas hoje os habitantes da cidade se orgulham de outro produto do município: as cachaças Velho Alambique e Locomotiva.

Ivandro Remus, da Velho Alambique, apresenta os tonéis de envelhecimento de cachaça

Depois de se unirem para formalizar a produção de uma cachaça que já era produzida há quatro décadas, as famílias Remus e Betinelli começaram a envasar a Velho Alambique, cachaça artesanal e orgânica. Em uma visita à cachaçaria, é possível provar todas as bebidas produzidas, conhecer o processo produtivo e desfrutar da paisagem acompanhado dos próprios produtores. A visita deve ser agendada com antecedência.

Harmonie Schnaps – Harmonia

A palavra artesanal ganha um novo significado quando se conhece Harmonia, cidade integrante da Rota dos Sabores e Saberes e a cerca de 70 km de Porto Alegre. O município foi formado por alemães e, até hoje, muito da cultura européia é nítida nas ruas da cidade.

Área de envelhecimento de cachaças da Harmonie Schnaps

Prova disso é a própria Cachaçaria Harmonie Schnaps. ‘Schnaps’ é a palavra em alemão usada para falar de qualquer aguardente, e Harmonie, significa harmonia. Então, Cachaça de Harmonia. Leandro Hilgebert e sua esposa, Fabiane Hansen, são os produtores da cachaça. Com família em Novo Hamburgo, os dois largaram seus antigos trabalhos para construir a Harmonie Schnaps.

O plantio da cana é orgânico –nenhum agrotóxico é usado no processo–, o bagaço da cana é reutilizado como adubo, para a fermentação é feito o uso de leveduras selecionadas e o controle de temperatura do caldo. Em 2014, a cachaça envelhecida da casa levou a medalha de ouro na categoria Envelhecidas em Madeiras Brasileiras, na 24ª edição da ExpoCachaça, que acontece anualmente em Belo Horizonte (MG).

Weber Haus – Ivoti

A Weber Haus é uma das cachaças artesanais que mais contribuiu com a divulgação da cachaça gaúcha no Brasil –a da aguardente brasileira no mundo. A tradição da família Weber na produção de cachaça vem desde 1848. Hoje, com processos otimizados e várias marcas em seu portfólio, o alambique não deixa de prezar pela qualidade em tudo o que produz.

Cachaças produzidas no alambique Weber Haus

Aberta para visitação todos os dias, é possível conhecer a produção de cachaça e acompanhar os estágios de moagem, fermentação, destilação e envelhecimento.

Quem leva

O Quintal da Cachaça, primeiro clube de assinatura de cachaça do Brasil, organizou um roteiro que passa pelos quatro alambiques acima, o primeiro especializado do país. A ideia é apresentar ao viajante as diferentes características de cada alambique, modo de produção e proporcionar um roteiro ainda inexplorado no turismo rural brasileiro. O roteiro pode ser adquirido pelo site viagens.quintaldacachaca.com.br.

Preços (parte terrestre): Quarto individual 6 x R$ 280; quarto duplo 6x R$ 250 e quarto triplo 6 x R$ 235.