Educação, Entretenimento

Neste Dia das Crianças, dê informação

Como conversar com seu filho sobre as diferenças através de presentes que mesclam educação e brincadeira

Solidificar uma relação de conversa com crianças pequenas nem sempre é fácil, ainda mais quando se trata de assuntos difíceis para alguns pais: sexualidade, gênero, cor de pele, diferenças físicas, entre outros. Mas, porque é tão importante falar sobre isso agora? Fornecer o máximo de informação, de uma fonte confiável à criança, é quase determinante para criar um adulto mais aberto e tolerante às diversidades – e, consequentemente, um futuro diferente para todos.  

Até os 12 anos de idade, fase em que os pequenos entram na adolescência, a base familiar ocupa o principal espaço para construção de valores e princípios morais. Segundo a psicóloga multidisciplinar infantil, Cintia Catellan, “Ainda que as crianças aprendam sobre questões de gênero e raciais na escola, com certeza o âmbito familiar, até o final da infância, é o lugar em que eles irão realmente se espelhar. Começam a surgir algumas questões até um pouco inconscientes como ‘quem sou eu no mundo?’, e as crianças passam a buscar isso em casa”. 

Apesar de um terreno espinhoso para muitos, essa conversa pode acontecer de uma maneira extremamente leve e simples: com livros. Colocar a criança dentro do universo lúdico, além de abrir espaço para questionamentos e respostas, cria o exercício de reflexão, ao mesmo tempo que é também uma forma de divertimento. 

Com isso em mente, Thais Pimentel, fundadora do Espaço Sophia, livraria independente comprometida com a curadoria especializada de títulos, oferece um espaço voltado para socialização, interação e aprendizado entre diferentes crianças e com diferentes realidades. Além disso, é possível encontrar opções de livros que ajudam os pais a darem o primeiro passo e iniciarem essa conversa importante com seus filhos. Alguns exemplos são “Sulwe”, que aborda com singular suavidade a questão das diferentes cores de pele e a beleza de cada uma delas; “O Menino Azul e a Família Colorida”, que por meio de uma metáfora sutil e delicada transmite aos pequenos as necessidades de compreensão e apoio com uma criança autista; e, por fim, “Sou Humano”, um livro sobre empatia e uma jornada pelas riquezas e pluralidades humanas. 

Para a empresária, “Para mim, é extremamente importante ter à disposição dos clientes livros como esses e poder, de alguma forma, proporcionar um incentivo para mudança com o meu negócio. Nem sempre é fácil explicar para uma criança sobre a morte, a diversidade, a síndrome de down, o autismo, entre outros assuntos, mas, os livros estão aí para facilitar esse debate. Ao inserir esse mundo lúdico, a criança pode compreender o que aconteceu com aquele ente querido que ela não irá mais ver, entender porque vai passar a ter a casa duas casas, o motivo do seu amigo de escola ter dois pais ou duas mães.”

Desviar perguntas, mudar de assunto e evitar comentários sobre temas mais complexos, pode, na verdade, causar um efeito negativo. “Se ela não pode conversar com o pai e a mãe sobre um certo assunto, fatalmente a criança vai procurar algum caminho para saber sobre pois aquilo gera curiosidade. O grande risco é aonde ela vai buscar essa informação?”, comenta a psicóloga. 

Outro perigo é, ainda, a falta de limites. A partir do momento que os pais fazem piadas racistas, homofóbicas ou machistas e, ao mesmo tempo não conversam sobre esses assuntos, os pequenos tendem a entender aquilo como engraçado, divertido. Indo um pouco mais além, esses limites mal estabelecidos podem gerar outros problemas, como é o caso do ciberbullying. Nessa situação, existe dificuldade de entendimento sobre qual é o impacto que uma ação como essa na vida de outra pessoa. Tamanha é a proporção que, hoje, essa prática é crime. 

Estabelecer a empatia é importante. E aproveitar dessa data especial para investir em um brinquedo que vai proporcionar muito mais que diversão, pode significar apostar no futuro dos pequenos.

Espaço Sophia
Rua Padre Landell de Moura, 159 – Jardim Anália Franco
Telefone: (11) 97313-7577
Horário de funcionamento: 11h às 19h, de segunda a sábado.



Sobre o autor

Jornalista apaixonada por livros, comida e viagens