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Em visita à Ilha, ministro do Turismo questiona falta de marinas e de …

Foi com um discurso baseado em análises críticas do setor que o ministro do turismo Henrique Eduardo Lyra Alves (PMDB) visitou Florianópolis nesta segunda-feira. Ele almoçou com o governador Raimundo Colombo (PSD) e o vice Eduardo pinho Moreira (PMDB), sobrevoou a SC-403, em obras no Norte da ilha, e visitou o Centro de Eventos que está sendo construído pelo Governo do Estado em Canasvieiras. Alves mostrou-se surpreso com o potencial turístico da capital catarinense. “Com toda a experiência que eu pensava ter, eu achava que eu conhecia Santa Catarina, Florianópolis. Mas o que eu vi aqui é muito mais do que eu pensava conhecer. É uma coisa indescritível, emocionante”, disse. Mas pontuou, no entanto, que nem todo o potencial turístico é utilizado. “Observo, naturalmente, que há muita coisa que pode ser feita. Como não temos aqui marinas, que geram emprego, renda, fomentam esportes náuticos? Como não temos aqui um píer para desembarque de passageiros de transatlânticos?”, questionou. Para ele, essas questões precisam ser tratadas com responsabilidade e prioridade.

O ministro recebeu pedidos também de gestores públicos e empresários da área. “Pedi que apoie, e ele já concordou, que a Embratur compre vinhos catarinenses para os eventos que faz nacional e internacionalmente”, contou Felipe Mello, secretário de Estado de Turismo. Para ele, o mais importante é que “Santa Catarina esteja no radar do Ministério do Turismo e da Embratur”.

A visita do ministro ao estado foi articulada pelo presidente da comissão de turismo da Assembleia Legislativa, Gean Loureiro (PMDB). “Esse é um evento de grande importância para o parlamento catarinense e o turismo de Santa Catarina”, avaliou o deputado, que acompanhou o ministro na visita ao Norte da ilha e presidiu, em seguida, uma reunião com o trade na Assembleia.

O vice-governador Eduardo Pinho Moreira (PMDB) também demonstrou entusiasmo com a visita. “O ministro mostrou vontade de estar presente em sua inauguração do Centro de Eventos, viu a importância da SC-403, que está em obras com a parceria do Ministério do Turismo, viu nossa potencialidade para ter marinas, então sai com informações que não tinha sobre Santa Catarina”, analisou.

Centro de eventos deve ser entregue em agosto

O diretor executivo do Sapiens Parque, José Eduardo Fiates, onde fica o Centro de Eventos do Norte da ilha, apresentou ao ministro Henrique Alves os dados sobre o empreendimento. Explicou que já são 50 prédios contratados, 20 em construção avançada. São 60% na área de tecnologia e o restante em serviços e turismo. “A tendência é equilibrar um terço para cada área”, disse. O parque tem capacidade para 1,3 milhões de metros quadrados de área construída, com 30 mil pessoas trabalhando.

“Esse complexo é fundamental para o polo. Além desse centro de eventos a tendência é que tenhamos uma área de hotéis a 200 metros daqui que vai integrar todo o setor hoteleiro da região. É um projeto de inovação integrado ao desenvolvimento da cidade”, destacou Fiates. O projeto começou em 2002 e em 2009 a primeira obra começou a ser implantada.

“Metade dessa área é parque natural e a outra parte é planejada. Essa é a saída”, avaliou Vinicius Lummertz, catarinense que preside a Embratur. “Não tem como dar errado”, respondeu o ministro. O deputado Gean Loureiro contou, na visita, que vai apresentar um projeto de lei para dar o nome do centro de eventos em homenagem ao senador Luiz Henrique da Silveira (PMDB).

“Ele foi governador quando foi lançada a pedra fundamental para a obra”, justificou. A secretária municipal de Turismo, Zena Becker, afirmou que a previsão de entrega da estrutura é o mês de agosto. As obras estão mais intensas no entorno do prédio.

Escalas de transatlânticos e os potenciais da ilha

Os potenciais turísticos de Florianópolis foram amplamente discutidos pelo ministro, gestores e empresários do setor. Para Henrique Alves, a cidade precisa aproveitar o potencial náutico e os parques naturais. Presidente da Embratur, Vinicius Lummertz confirmou avanços nestes setores. “Já temos combinado com o Governo do Estado dividir os custos da batimetria das baías norte e sul e fazer a adequação do píer de Canasvieiras. Se conseguirmos atingir prazo, teremos nesse verão duas escalas testes de cruzeiro”, anunciou.

“Todos os anos passam cem transatlânticos na frente de Florianópolis que poderão parar aqui. Estamos falando de 3500 pessoas por cruzeiro que gastam na faixa de 100 dólares por dia. É uma economia importante que começa em outubro e novembro e vai até março e abril, estendendo a temporada”, completou.

“Só o mar e os parques naturais já nos dariam outras possibilidades além do turismo de negócios e o sazonal, e nós nem começamos a trabalhar isso. Temos que entrar nessas novas indústrias”, analisou Lummertz.

Essa é a visão que Alves pretende implantar no Ministério. “O turismo não pode ser um segmento de segunda categoria no Brasil. Ele gera uma capilaridade econômica diferente de qualquer atividade”, defendeu.

A crise econômica, para ele, motiva esse investimento na área. “Essa é a hora de fazer com que o brasileiro conheça o país. E Florianópolis tem tudo para ser um expoente nesse novo turismo nacional. Na hora da crise, não há nenhuma atividade que possa se mostrar tão útil para reagir do que o turismo”, apontou.

Uma das estratégias é criar áreas especiais de interesses turísticos para atrair o investidor. O projeto de lei deve ser enviado ao Congresso no segundo semestre.

Demandas do trade

O presidente da Acif (Associação Comercial e Industrial de Florianópolis) Sander De Mira, que participou da reunião na Assembleia Legislativa, viu como positiva a visita. “Demonstra boa vontade e gera expectativa de que o estado vai ter atenção, assim como Florianópolis, que parece ter sido preterida nesses aspectos”, criticou.

Como exemplo deste descaso, ele citou a situação do aeroporto. Já o ministro acredita que com a concessão à iniciativa privada, a obra andará e atenderá às necessidades do estado. “Em boa hora a presidente Dilma Rousseff faz essa concessão à iniciativa privada, para que Florianópolis se torne ainda mais receptiva ao turista”, disse.

Para Sander, o setor “se renova de esperança porque esse gesto pode mostrar um tratamento diferenciado”. “Em um ano em que as perspectivas econômicas não são as melhores as manifestações em favor do turismo são vistas com bons olhos”, analisou. Ele sugeriu ainda iniciativas para o setor.

“A associação comercial acha que a vocação natural da ilha precisa ser melhor explorada e podemos ter a médio prazo uma terceira vocação: juntar as belezas naturais com um foco de negócios, como eventos esportivos. Poderíamos ter um evento em cada mês do ano. Assim se vence a questão da sazonalidade”.