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Com dólar nas alturas, brasileiro perde poder de compra e evita exterior

Notas de 100 dólares expostas em um banco de Westminster, no Estado norte-americano do Colorado  (Foto: Rick Wilking/Reuters)Dólar turismo, vendido nas casas de câmbio, é encontrado valendo mais de R$ 3 (Foto: Rick Wilking/Reuters)

Atenção turistas brasileiros que vão para o exterior nos próximos dias: é hora de recalcular a rota ou segurar o orçamento!

Com o dólar turismo nas alturas, chegando a ser vendido em casas de câmbio por mais de R$ 3, muitas pessoas com viagem internacional marcada, seja para descanso ou (muitas) compras, estão revendo suas planilhas de gastos devido à desvalorização do real perante a moeda norte-americana.

Algumas optaram por alterar o destino de férias e investir em pacotes dentro do Brasil, principalmente nos litorais do Nordeste e Sul do país – mesmo com promoções de companhias aéreas que reduziram em quase 70% o preço das passagens para o exterior.

O temor de rombo no orçamento é tão grande que muitos preferiram postergar a viagem de férias, na expectativa de que o dólar reduza seu valor – o que para economistas ouvidos pelo G1 é algo que não deve acontecer tão cedo.

“A curto prazo, a tendência para quem vai viajar [para o exterior] é de gastar mais, disse o economista Jason Vieira, da X Infinity Invest.

A jornalista Flávia Marreira, que embarca para Los Angeles na próxima semana: poder de compra reduzido (Foto: Arquivo pessoal)A jornalista Flávia Marreira, que embarca para Los
Angeles na próxima semana: poder de compra
reduzido (Foto: Arquivo pessoal)

Menos poder de compra
A jornalista Flávia Marreira, de 28 anos, de São José dos Campos (SP), decidiu viajar com o marido para Los Angeles, nos Estados Unidos, em dezembro passado.

Ela comprou a passagem já com o dólar valorizado, a R$ 2,50, mas não esperava um aumento tão brusco do valor como aconteceu nos últimos dias.

“Tinham me orientado a comprar os dólares aos poucos, aproveitando momentos de queda  no preço. Só que o valor começou a subir e a gente ficou desesperado. Na semana passada troquei uma parte do dinheiro que vou usar antes de ele subir para R$ 3”, disse ela.

Flávia até cogitou em trocar a passagem, na expectativa de que o preço baixasse um dia. “Mas estou percebendo pela fala dos economistas que o valor só vai crescer. Além disso, a troca da passagem ficaria caríssima”, explica.

Ela diz ter em mente que seu poder de compra já não será o mesmo de quando a moeda americana estava valendo menos. “Já não deve estar valendo comprar muita coisa lá fora”.

Juliana Fegies, proprietária da agência de turismo Baritur, em Alphaville, disse que muitos de seus clientes têm optado por adiar a data da viagem, torcendo para que o dólar fique mais barato.

“As pessoas estão de olho no preço da moeda, mas não desistiram de viajar. Tem muita gente esperando o carnaval passar”, afirma.

Para o economista Jason, a questão é a pessoa imaginar quanto ela tem de expectativa de gasto a mais. “Nesse cenário, a pessoa precisa entender o que vale e o que não vale a pena comprar”, explicou.

Selo dólar (Foto: G1)

EUA fora de cogitação (por enquanto)
Segundo Adriano Lopes, vice-presidente da empresa Hotel Urbano, especializada na venda de pacotes turísticos pela internet, a procura por destinos nos Estados Unidos e Caribe sofreu uma leve retração.

A expectativa da empresa é que ocorra uma redução de até 30% nas vendas para essas regiões durante a temporada de verão no Hemisfério Sul.

No entanto, Lopes ressalta que quem já estava com a viagem marcada não vai desistir de ir. “Tenho milhares de passageiros para embarcar nos próximos dias e ninguém está cancelando porque o dólar ficou caro”, afirma.

O vice-presidente do Hotel Urbano explica ainda que lugares na Europa, onde a moeda corrente é o euro (mais caro que o dólar, mas que não tem sofrido tanta oscilação), e no Brasil se tornaram atrativos para os turistas.

A empresa registrou aumento nas vendas de pacotes para localidades no litoral da Bahia, por exemplo, de 250% em comparação com os dois primeiros meses de 2013. A procura pelo litoral de Santa Catarina, principalmente na região de Balneário Camburiu, também cresceu.

Promoção de aéreas
Para atrair quem ainda não desistiu de ir para o exterior, companhias aéreas reduziram o preço do bilhete em suas linhas internacionais, com descontos de até 70% para voos rumo a países da América do Sul, cidades dos Estados Unidos e do Caribe.

De acordo com a agência on-line ViajaNet, uma viagem do Rio de Janeiro a Washington, capital americana, tem custado 50% a menos, saindo por US$ 875.