Vinho e Viagem

Brasil tem potencial para expandir mercado de vinhos

Segunda bebida alcoólica mais popular do mundo, o vinho tem, aos poucos, conquistado o paladar dos brasileiros. Ainda longe de alcançar o patamar de consumo dos nossos vizinhos de continente, Chile e Argentina, que consomem 17,46 litros e 23,46 litros respectivamente, e dos campeões mundiais França, com 42,51 litros; Portugal, com 41,74 litros e Itália, com 33,30 litros, o volume no Brasil chega a dois litros por pessoa/ano. A informação é do Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin), que considera o País um grande mercado a ser desbravado por produtores nacionais e estrangeiros.

Presente no Brasil há 15 anos, a vinícola Luigi Bosca, da região de Mendoza, na Argentina, tem no País o seu principal consumidor estrangeiro e busca fortalecer as relações comerciais com visitas periódicas. O embaixador da Luigi Bosca, Cláudio Mendonza, esteve em Belo Horizonte em maio para mais um encontro com proprietários de restaurantes, sommeliers e enófilos.

“Exportamos os nossos vinhos para 47 países e o Brasil é o número um entre eles. Vemos uma grande evolução no conhecimento do público amante do vinho no País e na qualidade dos restaurantes, lojas e profissionais especializados. Vocês têm um grande mercado para importados que atrai rótulos do mundo inteiro”, analisa Mendonza.

A chegada da Luigi Bosca no Brasil aconteceu por meio de uma parceria com a Enoteca Decanter, sediada na região Centro-Sul de Belo Horizonte. Anualmente são enviadas 60 mil caixas de 12 garrafas para o Brasil. Minas Gerais está entre os cinco principais destinos.

Segundo dados da União Brasileira de Vitivinicultura (Uvibra) em janeiro de 2016 o Brasil importou 4.753.572 litros de vinhos finos. O Chile foi responsável por 56,9% do volume total, com 2.703.760 litros. Na sequência aparecem Itália, com 11,7% (554.194 litros); Argentina, com 10,6% (505.972 litros); Portugal, como 9,9% (471.288 litros) e França, com 4,8% (471.288 litros).

Para o sócio-diretor da Enoteca Decanter, Flávio Morais, o baixo consumo per capta de vinho no Brasil oferece aos produtores um mercado que merece ser estudado. Os argentinos devem ser os principais beneficiados. “Produtores do mundo inteiro querem chegar aqui. O Chile é o nosso principal fornecedor, mas a Argentina está diminuindo a distância. Nossos vizinhos mais próximos oferecem características que agradam muito aos brasileiros. Além disso, tem as questões tributária e logística facilitadas em relação ao Chile”, explica Morais.

Apesar de o brasileiro consumir principalmente o chamado “vinho de garrafão”, segundo a Ibravin, dos dois litros consumidos por ano para cada brasileiro, apenas 700 mililitros são de vinho finos, mas a perspectiva é bastante positiva. Em 2011 o consumo per capita de vinhos finos teve um salto, quase dobrando, enquanto o de vinhos comuns aumentou 37%. Entre 2012 e 2015 o consumo de vinhos comuns aumentou 23% enquanto o de vinhos finos 71%.

O enoturismo é outra arma utilizada pelos produtores argentinos para encantar os consumidores brasileiros. A abertura da região de Mendoza aos visitantes ávidos por conhecer as paisagens, os métodos de produção e para degustar os produtos no seu lugar de origem ajuda a divulgar as qualidades exclusivas dos produtos.